Tão longe, tão perto

Obras de Leo Brizola e Breno Barbosa que compõem a mostra “Dupla Identidade, Há Controvérsias”, de 2020, ganham público virtual.

Insta: Leo BrizolaBreno Barbosa

Em novembro de 2020, quando foi montada a exposição “Dupla Identidade, Há Controvérsias”, dos artistas Leo Brizola e Breno Barbosa, no Cine Theatro Brasil Vallourec, existia, embora tênue, a expectativa de que talvez ela pudesse ser aberta ao público. Afinal, ela estava lá, impecável, a instigar o “espírito de espectador” – expressão do artista plástico Miguel Gontijo usada no texto de apresentação da mostra – que existe dentro de quem gosta de apreciar obras de arte (embora quem gosta mesmo saiba que essa experiência vai muito além da de expectador).

Não foi, embora os dois artistas já possam dizer que realizaram uma mostra juntos, o que ainda não tinha acontecido. Afinal, são amigos talvez há séculos… talvez até de outras encarnações. Como muitas outras atividades artísticas, “Dupla Identidade” foi inviabilizada de ser visitada presencialmente, por causa das restrições de isolamento impostas pela pandemia.

O caminho foi explorar ao máximo o campo virtual, não só para que todo o projeto, curadoria (de Maria Brizola) e produções que implicam em realizar uma exposição não se perdesse, mas também para que, dadas as circunstâncias, o trabalho de Leo Brizola e Breno Barbosa para “Dupla Identidade” fosse visto e conferido pelo público.

E vale muito explorar os detalhes das obras, ainda que pela tela do computador. Léo Brizola é um dos mais importantes artistas na expressão do movimento neobarroco no Brasil, com mais de 40 anos de carreira. Ele pratica os rigores da pintura tradicional, mas tem um caminho que é só dele. “Uso imagens do passado, que se tornaram arquétipos, para reproduzir as sensações que os fatos contemporâneos tem em mim”, diz

Breno Barbosa, que assentou ao mesmo tempo no banco de uma escola de artes que Leo Brizola, tem traços ancorados no jogo de luz e sombra e nos gestos libertos, quase sem retoques, para abordar conotações e distorções, muitas vezes caricaturais, que estão ligadas à sua nova leitura sobre a vida e as realidades que o provocam.

Como diz o texto do artista plástico Miguel Gontijo, “A arte de Breno e Léo é a consumação visual do indizível. Nasce num sistema de tensões, de um sortilégio e possuem a precisão de um joalheiro. A dupla possui o dom de manejar as imagens de modo a fazê-las render o máximo de sugestões, de insinuações, de expressões, de relevo. O que ressalta de imediato nas suas obras é a correlação entre os temas, as imagens e o ritmo estabelecido em harmoniosas estruturas. Os artistas são possuidores de minuciosos conhecimentos técnicos, não improvisam, nem se deixam levar pela simples emoção. Ao contrário: condicionam sua arte, em depuração subjetiva. Para eles o essencial é o timbre exato das sensações, o tom velado, a cor esbatida, a discrição, o traço, a forma e o absurdo, que pertencem à própria essência das suas obras.”

Para conhecer mais sobre este trabalho, que a gente torce que ainda possa ser exibido ao vivo, mesmo que em outros espaços, basta acessar o site www.brizolaarte.com.br

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