Pritzker Bem-estar

Vencedor do Pritzker de 2021, o escritório francês Lacaton & Vassal concentra-se em projetos que refletem espírito democrático da arquitetura

Insta: Lacaton & Vassal Pritzker Architecture PrizePalais de Tokyo

O vencedor do Pritzker de 2021, foi o escritório francês Lacaton & Vassal e o júri afirmou que os projetos de Anne Lacaton e Jean Philippe Vassal refletem o espírito democrático da arquitetura. A produção da dupla confirma isso, já que ambos têm se dedicado à habitação social, principalmente readaptando edifícios habitacionais existentes, sem comprometer o conforto e o bem-estar de quem vive nesses edifícios.

Um exemplo emblemático diz respeito a quatro conjuntos habitacionais modernistas em periferias de grandes cidades, que eles assinaram em 2010, com o arquiteto Fréderic Druot. Localizados ao norte de Paris e em Grand Parc, em Bordeaux, os edifícios receberam esqueletos externos de modo a ampliar a área de cada apartamento e deixar mais luz entrar. A estratégia ainda permitiu que nenhum morador tivesse que sair do local enquanto as reformas aconteciam.

Anne Lacaton e Jean Philippe Vassal também são conhecidos pelo uso de materiais modestos, que permitem construir moradias de qualidade a preços acessíveis. O portfólio do escritório apresenta residências particulares, espaços culturais, educacionais, urbanos e públicos.

O projeto do escritório para o Palais de Tokyo é outro exemplo da excelência da dupla. Inaugurado em 1937, a construção sofreu décadas de negligência e deteriorização. Em seus primeiros períodos, abrigou a arte moderna, mas foi relegado a um segundo plano, após a conclusão do Centre George Pompidou no final dos anos 1970, que se tornou o espaço principal para exposições de arte moderna.

Em desuso até o final do século 20, o Palais de Tokyo foi então revitalizado pelos arquitetos Lacaton & Vassal, e reaberto ao público em 2002. A estrutura enxuta que expõe e engloba materiais aparentes recebeu recentemente uma nova ampliação idealizada pelos arquitetos que o trouxeram de volta ao cenário.

O museu aumentou de 7 mil m2 para 22 mil m2 e os arquitetos se mantiveram fiéis à reforma original, na qual prevaleceu a honestidade dos materiais, em sua forma bruta.

A proposta foi a de permitir que os elementos do edifício pudessem envelhecer. Embora as camadas do fundo do porão exerçam quase uma aura expansiva de algo como um túmulo, os níveis superiores aquecem-se com o calor da luz do sol através das coberturas de vidro.

Diferente do que acontece em outros museus, onde o percurso é determinado, quem visita o Palais é livre para vagar e explorar de forma desinibida por entre o edifício abaixo do seu nível do porão e seus espaços de exposição superiores. Talvez a realidade dos materiais é deixada para se misturarem e se justaporem à leve imposição da tecnologia como no caso das faixas de iluminação parafusadas ao tijolo existente ou os cabos expostos que correm pelos espaços, fazendo com que o Palais de Tokyo seja tão diferente de outros museus.

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