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Premiado projeto arquitetônico do Centro Cultural Lá da Favelinha, encabeçado por Fernando Maculan e Joana Magalhães tem foco no coletivo

Insta: MACh ARQUITETOSLA DA FAVELINHA

Um projeto pensado para refletir e reafirmar a vibração e a potência criativa das pessoas que utilizam o Centro Cultural Lá da Favelinha, no Aglomerado da Serra, zona Sul de Belo Horizonte. A construção existente foi iniciada em 1995, embora nunca tivesse sido concluída. Em 2017, o encontro entre Carlos Eduardo dos Anjos, conhecido como Kdu dos Anjos, criador e gestor do projeto cultural e o arquiteto Fernando Maculan mudou os rumos dessa história. O coletivo LEVANTE Favelinha – união de arquitetos, estudantes e engenheiros, liderados por Fernando e pela também arquiteta Joana Magalhães – surgiu a partir daí, com a finalidade de elaborar esse e outros projetos na região, além de levar fornecedores e apoiadores para a transformação da obra em curso. Totalmente voluntário, ele teve 100% dos recursos arrecadados via vaquinha virtual destinados à execução das obras. “O que nós fizemos foi turbinar a Favelinha”, comenta Maculan.

Fizeram bem mais que isso. A intervenção arquitetônica durou cerca de três anos e foi concluída em 2020. Ela já foi premiada pelo IAB – MG, está entre os finalistas do prêmio do IAB Brasil e também ocupa destaque como um dos três projetos contemplados pelo Prêmio de Arquitetura Instituto Tomie Ohtake AksoNobel, entre 178 inscritos. “É muito significativo, porque esse trabalho ficou entre os primeiros entre vários de outras naturezas muito distintas, institucionais e comerciais. Ter um projeto na favela premiado no mesmo nível em que foram os outros dois é muito bom”, comenta Maculan.

Com três níveis, o imóvel do Centro Cultural utilizava anteriormente à reforma apenas dois deles, com o terraço, ainda inacabado, servindo de depósito de materiais diversos à espera da conclusão da obra. A ideia de refletir a vibração das pessoas que passam por ali acabou se materializando nas cores adotadas nos espaços internos e na ‘vestimenta’ da construção. O brise/ pergolado utilizou elementos têxteis: faixas vermelhas de tela agrária tornaram a fachada e a cobertura marcantes e foram pensadas não só para amenizar a insolação direta, como para afirmar a presença do centro cultural na comunidade, estabelecendo um limite sutil entre os espaços internos e a paisagem.

Essas faixas foram costuradas pela equipe do REMEXE (projeto de moda e upcycling da Favelinha) e os espaços internos foram pensados como corpos de cor – arquitetura cênica para a exaltação dos bailarinos, modelos, empreendedores e artistas que encontram na Favelinha uma ponte para o mundo.

Além do brise/pergolado executado pelo REMEXE, o projeto abriu frentes específicas como foi o caso do mobiliário (open source) de formas de compensado resinado com corte CNC, feito pela Fábrica Jangada, o mural com a comunidade Lá da Favelinha, executado por Bruno Ulhoa e o parklet elaborado com o coletivo Micrópolis, com a participação de crianças e jovens da favela.

A intervenção realizou algumas supressões e correções espaciais, de modo a organizar melhor os espaços vazios, mais abertos à livre apropriação tanto do térreo como do terraço, bem como os mais compartimentados e com usos definidos do segundo piso. O projeto também se ateve a promover a circulação de ar e entrada de luz natural em todos os espaços, adotando elementos vazados e aproveitando aberturas para o fosso-fenda entre as duas paredes na divisa de fundos, onde chega uma luz indireta surpreendente.

A edificação ocupa integralmente o terreno de 78,2 m² e totaliza, nos três níveis, 194,73m² de área coberta. Para o grupo de arquitetos envolvidos nesse projeto, ela inaugurou uma forma mais íntima de estar e atuar na favela também em outras áreas e contextos do aglomerado e já se desdobra em outros projetos. Estão em andamento um estúdio musical, o Favelinha Record, uma galeria de arte, entre outros projetos residenciais. Uma quadra esportiva e uma capela/velório também estão previstas. “Estamos cada vez mais integrados à comunidade, sabendo assim como melhor atuar ali”, comemora Maculan.

Lá da Favelinha – Vídeo de 6 anos

FOTOS GENTILMENTE CEDIDAS PELA MACH ARQUITETOS

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