Narrativas imateriais

Jornada da Cerâmica com Israel Kislansky, promovida pela Bel Lar, aborda tema fundamental para entender passado e futuro da humanidade

Insta: Bel Lar Casa ContemporâneaIsrael Kislansky

Prática de todas as sociedades, incessantemente desde a pré-história, a cerâmica é apresentada como instrumento de registro e narração não apenas da história da arte como da própria história da humanidade. E segue adaptada às novas narrativas e às novas formas de comunicação na atualidade.

Considerada talvez como a mais antiga das matérias-primas utilizadas pelo homem, a cerâmica é um dos símbolos das primeiras manifestações da racionalidade – projetar, processar e atribuir função prática ou simbólica – cujos registros datam de 29 a 25 mil anos. Caso da mais antiga estatueta de cerâmica (terracota) já encontrada, a Vênus de Dolní Vestonice (descoberta em 1922 na República Tcheca).

Na Croácia, foram encontradas pequenas esculturas de animais com mais de 17 mil e 500 anos de idade, ou seja, antes mesmo do homem deixar seus hábitos nômades ou de cultivar a terra em territórios fixos.

Hoje, desde as artes até as próteses para implante, a cerâmica é um dos materiais que melhor se adaptam à modelagem em avançadíssimas impressoras 3D. Apesar de todas estas peculiaridades, curiosamente a cerâmica como técnica artística ainda responde, sob alguns olhares especializados da crítica, pela discriminação sofrida desde meados do século XIX, com a origem das escolas de Belas Artes, que a classifica como “arte menor” ou “arte aplicada”.

Pausa para o mundo contemporâneo

Há cerca de 10 anos, o chinês Ai Weiwei foi aclamado como o artista mais influente do mundo pela revista europeia ArtReview. Ele é um exemplo vivo da atualização das linguagens plásticas para as narrativas contemporâneas. Sua cerâmica, por exemplo, grita assumindo um idioma comum a todas as sociedades. 

Por isso, ao escolher esse material como linguagem artística contemporânea, artistas como Ai Weiwei revigoram o papel da cerâmica como agente emissor das narrativas históricas. Afinal, estamos falando de um material cuja história se confunde com a própria história da humanidade e segue adaptada ao futuro.

A cerâmica percorreu toda a história da arte, resistindo às várias tendências e às diferentes escolas e gostos, mantendo-se presente em praticamente todas as partes do mundo. Até hoje atende com precisão e eficiência tanto às manufaturas mais rudimentares até à alta tecnologia e às mais avançadas tendências do design.

Entender esse processo é fazer uma viagem que vai da nossa ancestralidade até o que ainda virá. Por isso a importância de um trabalho como o Jornada da Cerâmica Bel Lar com Israel Kislansky, que hoje realiza seu último encontro online, às 19h30, fazendo um passeio pelas culturas da Índia, China e Japão. A gente já está com saudade.

SERVIÇO

Dia 5 de agosto, às 19h30

Vagas limitadas pelo ZOOM. Para se inscrever, CLIQUE AQUI

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