Físico e pessoal

Galeria Celma Albuquerque se prepara para mostrar o novo trabalho da artista Jade Marra, no qual o contato físico com as obras é fundamental.

Insta: Jade MarraGaleria Celma Albuquerque

A mostra, intitulada “Te anonimato”, reúne as mais recentes obras de Jade Marra e abre, no próximo dia 18 de fevereiro, o calendário2021 da Celma Albuquerque Galeria de Arte, uma das mais expressivas e importantes de Belo Horizonte. A artista mineira vem se destacando no cenário nacional com seus trabalhos, que consistem principalmente em caráter instalacional. Neste novo projeto, a artista propõe um diálogo entre suas obras e o espaço expositivo da galeria, instalando placas metálicas suspensas onde se leem frases retiradas do seu caderno de poesias. Já as pinturas podem ser vistas refletidas pelas placas e sobrepostas pelas palavras nelas inscritas, ganhando assim camadas a mais de significado e leitura. É dessa forma que Jade cria um percurso relacional e uma experiência reflexiva para o visitante, inserindo-o em um contexto alusivo às questões de aproximação e distanciamento inerentes às relações interpessoais.

Por isso é tão importante o contato real. Para que, quem visite a mostra sinta, de fato, a experiência que a artista propõe. A boa notícia é que a data de abertura foi marcada e, com todas as precauções e normas sanitárias, ela acontece no próximo dia 15. “Estávamos ansiosos para saber quando o público poderia passar por essa experiência. Finalmente podemos comemorar e isso vai acontecer”, comenta a galerista Flávia Albuquerque.

As artes tem encontrado no digital uma potência que tem ampliado a visibilidade de muitos trabalhos, seja em ações coletivas de artistas, galeristas, curadores e meios de comunicação, seja de forma individual. Ms há sensações que só emergem quando o corpo tem a possibilidade de se relacionar com a obra. É o caso desse trabalho de Jade Marra. Sobre o título e a temática da exposição, a artista relata: “Durante uma conversa com minha companheira, a expressão “te anonimato” surgiu como alternativa dada pelo corretor automático a “te amo muito” e, desde então, tem sido nosso código para expressar amor. Escolhida como título da exposição, essa expressão de cunho extremamente pessoal remete a temas provenientes das relações afetivas, como o reconhecimento da própria identidade que muitas vezes se encontra – ou se perde – espelhada no outro”, reflete.

Previsões do futuro costumam ser falhas. Pensar que as artes visuais e a distância venham a protagonizar a linguagem causa um desconforto em quem entende que, nas artes plásticas é

a questão expositiva e o contato real com a obra são fundamentais. Com exceção dos vernissages, na maioria dos espaços o fluxo de público é contínuo, porém homeopático e existem alternativas para repensar o espaço de exposição com normas de segurança sanitária. Que a exposição do trabalho de Jade Marra não demore a acontecer, para que aqueles que se alimentam de arte e sabem do valor desse ato, possam se guarnecer com seu trabalho.

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