Desenho em movimento

Trabalhos da artista Clarice Panadés traduzem o movimento de forma direta. Tudo a ver com corpo e a ação imediata

Insta: CLARICE PANADÉS

A formação circense tem ensinado a Clarice Panadés a arte do malabarismo aplicada a outras áreas.  Com o Coletivo na Esquina, grupo de circo contemporâneo, ela já viajou Brasil e Europa afora, experiência marcante que tem forte influência em seu trabalho como artista visual. Outras influências vêm também da irmã, a artista Julia Panadés e da mãe, Gilda Quintão, por muito anos professora de desenho.

Nesse campo, seus malabares são outros, ao pesquisar linguagens como o vídeo, o desenho, o livro de artista e a performance. Embora execute vários trabalhos ao mesmo tempo, seu traço principal está no desenho, que pode ser feito com uma prosaica caneta Bic, com nanquim, utilizando a cianotipia ou xilogravura. Para ela, o desenho é como uma forma de traduzir o movimento de forma direta. “O ato de desenhar, a performance da linha, tudo tem a ver com a ação imediata, com o corpo”, revela.

Clarice utiliza essas transposições criando hibridismos, que afastam o desenho da linearidade narrativa de identidades fixas. A cada novo encontro e técnica utilizada, esse corpo passa por uma decomposição, se fragmenta, se mistura ao meio, para depois se recompor com a experiência.

São como danças que revelam os gestos, animais, texturas, ossos, terra, cores e palavras. Há uma busca constante por movimento, no desejo de mostrar esse corpo singular como algo que nunca é, mas está. Um corpo que se inclina para ser afetado por outros e pelo espaço. Ele é território, com dissonâncias, distâncias e contradições. “Com o corpo, busco desvios de palavras fixas e pensamentos dicotômicos. Essa pesquisa diária do movimento é um desejo de revitalizar a linguagem, através da experiência corporal, em tempos em que o digital e a imagem predominam, se desconectam da presença e dos encontros”, diz.

Formada em Belas Artes pela UFMG, Clarice já expôs em coletivos em Portugal e no Brasil. No final de 2019, ainda trabalhando com o circo por países europeus, ela decidiu retornar ao Brasil para terminar o curso que havia iniciado há 15 anos e o concluiu. “Acho que foi muito positiva, pois no começo do curso eu era muito nova e o que vivi pelo mundo me amadureceu”, analisa. O traço e a sensibilidade de seu trabalho mostram que sua busca e o que concretiza em arte vem, sim, amadurecendo com suas experiências.

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