CASACOR Rio 2021

Ainda sob o estigma da pandemia, mostra carioca é um alívio que mistura história, contemporaneidade, poesia e abundância do verde.

Insta: CASACOR RioRodrigo JorgeBel LoboMari TravassosJean De Just

Na onda da ocupação de imóveis nos centros históricos, nada mais atual do que valorizar os detalhes originais da arquitetura antiga. A notícia é bem-vinda, já que a história do Brasil está sempre atrelada ao desrespeito ao seu patrimônio nos mais variados âmbitos. Dessa vez, o exemplo vem da CASACOR Rio, que ocupa um palacete icônico no Jardim Botânico, rodeado por mais de 12 mil m2 de mata atlântica. Nele, sancas, portais, vitrais, painéis de azulejo, tetos decorados entre muitos outros detalhes foram revitalizados e incorporados aos projetos dos arquitetos e designers de interiores, que fazem parte da mostra.

Para quem visita a CASACOR Rio 2021, é bom saber que a mostra está carregada de história. O Palacete Brando Barbosa foi construído em 1860 como parte da antiga Chácara da Floresta pela família Faro, de importantes cafeicultores. Anos mais tarde, foi a residência do importante médico sanitarista Oswaldo Cruz. Seus dias de glória, entretanto, foram vividos apenas a partir da década de 1960, quando Jorge Brando Barbosa e a esposa Odaléa compraram, reformaram e ampliaram o imóvel original, onde viveram por mais de 40 anos. Nascia ali, o palacete rosa, de 2,5 mil m2 que conhecemos hoje.

Políticos, artistas e amigos da alta sociedade carioca tiveram ali encontros memoráveis. O imóvel foi decorado pessoalmente pelo proprietário – arquiteto de formação – com móveis, arcos, portais, quadros e esculturas garimpados em antiquários, fazendas e igrejas do interior do Brasil. Doado em 2015, ainda em vida, por Odaléa, para o Museu de Arte Sacra de São Paulo, o palacete, após a realização da CASACOR Rio, vai abrigar o Instituto Brando Barbosa, local de encontros para interessados em arte, cultura e educação.

Nada melhor do que começar a destacar, entre os ambientes da mostra, a porta da frente, aquela que sempre é pensada para causar o primeiro impacto ao visitante. No Hall de Entrada projetado por Rodrigo Jorge Studio, a austeridade foi quebrada pela mistura entre o clássico e o mobiliário assinado, embora ele se apresente imbuído do esplendor de seus tempos áureos e a sofisticação que uma construção como esta pede. Com direito a teto dourado, paredes num tom grafite quase preto, além de peças dos anos 1950 e 1960 e muitas obras de arte de grandes nomes, como Picasso, Portinari, Franz Krajcberg. Ao mesmo tempo, esculturas de crianças aparecem em diferentes pontos do espaço representando a geração do futuro que poderá visitar o Instituto Brando Barbosa que será criado no local após a CASACOR Rio. Um ambiente-homenagem aos antigos proprietários e a seu amor pela arte. Destaque de valor inestimável, o lustre do ambiente, cujo duplo está no Palácio de Versalhes. Outra preciosidade história é a escada esculpida do hall, tanto ela quanto o portal que dá para a sala de jantar foram construídos com uma madeira que serviou de cabeceira de cama em 1712.

Outro destaque é o Jardim de Inverno assinado por Jean de Just. O ambiente, multiuso e cheio de verde, é bem sintonizado com os novos tempos. Pensado para reuniões familiares, mas também para as necessidades do dia a dia, o espaço une estar, jantar e escritório e tem como destaque o uso de pastilhas criando desenhos geométricos – uma referência contemporânea aos azulejos do século XVIII que estão presentes em vários cômodos da residência. Tudo muito colorido, mas cercado pelo verde das plantas que aparecem em vasos e, também, numa parede verde interna. O mobiliário é contemporâneo para trazer ainda mais contraste com a arquitetura da casa.

Por fim, a poesia do ambiente-instalação sensorial, batizado de Balanço das Águas e assinado por Bel Lobo e Mariana Travassos. Num pequeno espaço em meio ao verde, o fluxo dos sons e das águas é acionado pelo caminhar dos corpos. Um verdadeiro convite à contemplação da natureza, ao mesmo tempo que ajuda a garantir a segurança de todos. Afinal, é tempo de lavar (muito) as mãos e, para isso, as cubas Deca espalhadas pelo espaço estão ali, entre a saída da casa e o início da exploração dos ambientes externos. Para relaxar, para escutar e curtir o bom da vida.

FOTOS: André Nazareth

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