Belos horizontes

Trabalhos do artista Marcos Siqueira, em exposição na Galeria Periscópio, em BH, subvertem a urgência ao propor uma temporalidade própria

Insta: MARCOS SIQUEIRAGALERIA PERISCÓPIO

O artista visual Marcos Siqueira nasceu no distrito da Serra do Cipó e cresceu cercado pela riqueza do cerrado que abençoa a região.  Já trabalhou em lavouras, jardinagem, como guia turístico e servente de pedreiro, atividades nas quais, além de muitos aprendizados, despertaram nele um lado mais observador em relação a tudo a sua volta.

É da terra que ele retira seus pigmentos em suas mais possíveis variações cromáticas: ocres, verdes, pratas, azuis, pretos, cinzas, vermelhos. Marquinho, como é carinhosamente chamado entre os seus, conhece a Serra do Cipó com a palma da mão e a planta do pé. Tudo o que compõe o seu lugar e o seu tempo está presente na sua pintura através de uma observação lenta, curiosa, aguçada, minuciosa.

Nela, está o corpo em contato com a imensidão, o silêncio desse encontro, o sublime e o banal desse encontro. Está também no horizonte distante, com poucos personagens que desempenham funções cotidianas, singelas, por vezes inventadas.

Marcos percebe a transformação ínfima do que há de mais próximo no cotidiano e em suas fantasias, e consegue transpô-la para os seus quadros, usando como matéria-prima o que encontra e recicla da sua terra, seja o chassi seja o pigmento.

O artista reproduz corpos sem se comprometer com a proporção humana. Corpos-horizontes que são introduzidos na composição para se adequarem às ações; ações que subvertem a urgência de nossos tempos e que propõem uma temporalidade própria. Um embate que dá à figura uma singularidade fundamental em cada pintura. É um canto-resposta. Está tudo ali.

Inspiração e recortes do texto da curadora Gisele Camargo e de Luiza Baldan sobre a exposição que está em cartaz na Galeria Periscópio, na rua Tenente Brito Melo, 1217, Barro Preto, Belo Horizonte, até o dia 22 de outubro.

FOTOS GENTILMENTE CEDIDAS PELA GALERIA PERISCÓPIO

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