Afagar a terra

Taipa, tijolos cor palha e madeira em uma composição de contrastes sutis e planos horizontais encantam esse pedaço de paraíso

Insta: ARQUIPÉLAGO ARQUITETOS

Cunha é daqueles lugares que dá muita vontade de conhecer. A três horas de São Paulo, a cidadezinha fofa, encravada entre as serras da Bocaina, da Mantiqueira, do Mar e a serra do Quebra-Cangalha, tem paisagens de tirar o fôlego. Tem também atrativos peculiares, como é o caso de seus campos de lavanda e o fato de ser tradicionalmente conhecida pela cultura em cerâmica. E essa casa, projeto do escritório Arquipélago Arquitetos, localizada no sertão de Cunha, soube tirar partido dessa característica.

Implantada no alto do morro da paisagem, ela teve como recurso construtivo para a execução de suas paredes em taipa, a terra retirada do próprio terreno. É que, para proteger a casa dos ventos frios, foi feito um corte de 1 metro de terra, a fim de semienterrá-la até a altura das bancadas das áreas de serviços.

A taipa, aqui, foi revisitada de forma contemporânea, utilizando um sistema de fôrmas autêntico que evita perfurações com cabodás. Em um canteiro de obras eficiente, os módulos puderam ser desmontados e remontados com facilidade.  Além disso, essa técnica construtiva também proporcionou à equipe encontros interdisciplinares entre a física, a química, a geologia e a geografia, ampliando assim o entendimento sobre a paisagem onde a casa foi erguida.  Fatores como dureza, inércia térmica, cor, brilho e tatilidade são decorrentes das características físicas e químicas daquele solo específico.

O restante das paredes foi feito com tijolos cor palha, terra queimada por uma olaria local que retira barro rico em alumínio das regiões de várzea de um riacho. Optou-se pelos quartos voltados para norte e a sala para o noroeste para aquecer os ambientes de permanência no inverno rigoroso. Há ainda elementos como a lareira e um fogão a lenha na sala, também feitos em taipa e, ligado à varanda, no chão, um grande espaço circular para uma fogueira, feito em tijolos.

A estrutura da cobertura é uma grelha em madeira e junto com o piso também no mesmo material compõem dois grandes planos horizontais que se distinguem dos planos verticais em terra.  Com a casa situada em um sítio isolado e selvagem, foi assim que esse projeto priorizou o que considera um sinal máximo da chegada da presença humana na paisagem, com as linhas retas marcando a topografia suave.

FOTOS – FEDERICO CAIROLI

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