A folha não está mais em branco

Projeto da artista Luciana Hermont, que reúne registros feitos por diversas pessoas em cadernos de anotação durante a pandemia, começa a tomar forma.

Insta: Luciana Hermont

Se os cadernos de anotações sempre foram aliados inseparáveis de artistas, escritores e qualquer mente um pouco mais criativa, imagina o valor de um instrumento desses, em tempos de isolamento social, como o que o mundo começou a experimentar com a pandemia, a partir de março do ano passado? Talvez não tenha sido esse o questionamento da artista plástica Luciana Hermont no início do projeto que começou a tomar forma há menos de um ano. Mas depois do impacto causado pelos cadernos com capa neutra de papel cartão e folhas brancas, que foram distribuídos para serem preenchidos de forma livre e espontânea por quem os recebeu e aceitou o desafio, a pergunta seja pertinente e já começa a esboçar respostas.

Ao todo, foram 48 cadernos distribuídos para um grupo bastante heterogêneo, com idades mais ainda, entre os 10 anos do mais novo e os vividos 93 anos da mais velha. A proposta é que cada um usasse as páginas da forma como quisesse e, depois de preenchidas, devolvesse o caderno a Luciana, para que fossem utilizados em uma obra maior. Um dos primeiros a ser recebido de volta foi o do artista plástico Mário Zavagli que, por incrível que pareça, não tem um desenho sequer. Preenchido por palavras que começam com as letras do alfabeto, ele explica poeticamente porque escolheu a que se destaca na página. “Um trabalho lindo”, comemora Luciana.

O designer, fotógrafo, cenógrafo e atualmente secretário de turismo de Ouro Preto Rodrigo Câmara também fez a lição de casa, bem como Leo Bahia, curador e marchand; Renato Tomasi, realizador do evento DMais Design; a ceramista Cibele Tietzmann e a pequena Clara Parreiras, de 11 anos, filha de Eliane Parreiras, presidente da Fundação Clóvis Salgado, entre tantos outros nomes.

É em cima desse coletivo de anotações e registros que a artista já começa a pensar no trabalho que vai realizar.  O que ela vai percebendo enquanto recebe de volta os cadernos é que há temas recorrentes, como o voltar a cozinhar, a importância da música, das coisas simples da vida, de como encontrar outras formas de lidar com o tempo e os altos e baixos de humores e emoções durante esse período peculiar que todos estão vivendo. Além de pensar em uma grande instalação, ela quer também reunir ideias semelhantes em uma obra, desmembrá-las em outra, enfim, Luciana já imagina, mas não entrega o que vai acontecer daqui em diante. O que ela sabe mesmo é que quer que seja uma exposição presencial, mesmo que não saiba ainda quando isso vai acontecer.

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