Luxo natural

Projeto de David Guerra para Kûara Hotel mostra que cada detalhe foi pensado para traduzir o Brasil em pura beleza

Insta: HOTEL KÛARADAVID GUERRAFELIPE FONTESMÔNICA ROHLFSELISA ATHENIENSERITA LESSA

Uma localização privilegiada, em uma orgânica composição, cujo eixo principal é o Córrego do Mucugê e a Mata Atlântica, que floresce junto ao mangue, entre as famosas falésias de Arraial D’Ajuda, no sul da Bahia. O projeto de arquitetura assinado por David Guerra propõe estabelecer sólida simbiose com a riqueza da reserva, em uma construção vernacular e moderna, que também atende ao requinte e à sofisticação de um hotel de luxo.

Com uma linguagem contemporânea, moderna e marcante, o projeto alia detalhes de arquitetura e de interiores, com uma bossa bem brasileira. Na escolha dos materiais, a opção foi pela diversidade, com foco na madeira maciça em seu estado natural, trabalhada por marceneiros discípulos do mestre Zanine Caldas. Ela está presente nos pisos, forros e paredes, e também nas venezianas, brises e painéis modulados, utilizando espécies como cumaru, tatajuba, ipê e peroba.

Bambu, fibras naturais, palha, vime, couro, pedras brasileiras, e outros elementos artesanais fazem contraponto com revestimentos Florim, usados nos pisos e banheiros: apesar de industriais, trazem a sensação da pedra bruta natural, sem o inconveniente da infiltração de água.

Um estilo arquitetônico multicultural, autêntico e atemporal, que usa o verde predominante como parte indissociável da arquitetura. As peculiaridades começam na recepção, com painel desenhado pelo arquiteto, composto por uma malha de cumaru maciço e um belo detalhe em fórmica branca e fundo em fórmica vinho. Luz e sombras, cheios e vazados, claros e escuros. O contraste é o instrumento para a contraposição estética deste trabalho. Aí estão também a sala de TV e sala de descanso. O lavabo da recepção, revestido em pedras italianas continuam o raciocínio da contraposição das cores entre o caramelo da madeira, o vinho das paredes e o grafite do piso.

Uma passarela liga a recepção à área de lazer do Hotel. O guarda-corpo indica o caminho e assume o protagonismo, percorrendo o hotel em um belíssimo jogo de volumetria arquitetônica, amarrando os edifícios, os quais, apesar de aparentemente separados entre si, estão intimamente conectados nesta trama.

A piscina de 500m2 de borda infinita joga com nossa perspectiva, ao colocar-se em frente ao oceano, levando à sensação da conexão com o mar. A forma de L envolve o restaurante delimitando o lounge da varanda, e segmentando a prainha, amparada com confortáveis espreguiçadeiras, além da presença da hidromassagem. A sauna ao lado da piscina permite completar a plena experiência de relaxamento.

O restaurante à beira mar é um dos pontos mais belos e imponentes do projeto. Um de seus pontos altos é o conjunto de 130 luminárias, produzidas artesanalmente por artesãos da região. O resultado é um conjunto orgânico e harmônico.

Para além do deck da piscina, há um bar, com o lounge da areia a cinquenta metros do oceano preenchido por sofás e espreguiçadeiras. As luminárias do bar, rodas de fibra de coco com diâmetro de um metro, são permeáveis em dois sentidos. À noite, a trama da fibra permite que a luz se espalhe tanto por baixo quanto na lateral, fazendo uma bonita composição espacial de iluminação sobre o salão.

Por último, a parte privada, com 46 quartos, variando entre 35 e 69 m2, além de mais 4 suítes “superluxo” de 139m2, que incluem sala de estar, varanda, cozinha equipada, lavabo e varanda com mesa para 10 lugares e dois sofás de balanço. Os quartos são equipados com ar condicionado e frigobar silenciosos, blackout total, colchão italiano e paredes com isolamento acústico, intensificando a sensação de descanso e conforto.

Além de toda esta bela infraestrutura, o hotel conta com 2 quadras de tênis, uma academia, e lavanderia de última geração. O Spa da L’Occitane é um edifício independente, com 4 salas de massagem equipadas com mesas de massagem, chuveiro duplo e banheiras de imersão.

O projeto paisagístico é de Felipe Fontes, o luminotécnico de Mônica Rohlfs, o trabalho em tressê em couro é assinado por Elisa Atheniense e a artista Rita Lessa é a autora das peseiras, almofadas e passadeiras de mesa, elementos cheios de brasilidade

FOTOS: JOMAR BRAGANÇA

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