Casa de Olinda

Situada no Centro Histórico, morada de Cibele Teixeira e Leo Santana em Pernambuco é cheia de vida, personalidade e alegria

Insta: Casa De Olinda

Qual o seu metro quadrado no mundo? Você já mora nele, ou sonha que um dia ele vai se concretizar? Melhor: você realmente faz questão de tê-lo ou prefere viver nômade, cada hora em um lugar?
Não importa a resposta. Mesmo que em uma cabana, uma barraca de camping ou um apartamento, há pessoas que conseguem se colocar inteiramente no espaço onde habitam, seja ele qual for. Elas se enxergam ali e é possível também, para quem é de fora, enxerga-las em cada canto, estante, objeto, poltrona, quadro na parede. Muitas vezes, são espaços que encantam pelos detalhes, onde moram histórias peculiares. São espaços que tem vida.

A Casa de Olinda, em Pernambuco, é um desses lugares únicos e encantadores. Situada no Centro histórico, onde o colorido do casario da época colonial é um dos cartões-postais da cidade, há 12 anos ela é propriedade de dois mineiros, o escultor Léo Santana e a produtora cultural Cibele Teixeira.

Desde a primeira vez que abriram aquela porta, a Cibele conta que sentiu o coração disparar, vendo o percurso da construção até que a vista alcançou o mar. “Eu disse: aqui é o meu metro quadrado no mundo e o Leo, que estava do meu lado respondeu, ‘o meu também’.” Isso foi há 15 anos e a permanência no imóvel era passageira, um feriado no carnaval mais caloroso do Brasil. Estavam em um grupo de muitos amigos, capitaneados pelo estilista Ronaldo Fraga, que já conhecia a casa anteriormente.

O carnaval passou, mas a vontade de voltar àquele espaço não. Algum tempo depois, ficaram sabendo que a casa estava à venda. Já havia outros interessados, mas as conjunções, as coincidências e as afinidades acabaram por concretizar o desejo dos dois amigos. Hospedados em um hotel nada atraente na orla, fecharam negócio e decidiram se mudar imediatamente.

Fecharam a conta do hotel, compraram dois colchões, uma geladeira de isopor, mantimentos, roupa de cama e mudaram-se imediatamente para a casa. “A partir daí, começamos a entender que tínhamos uma casa com vista para o mar e que a gente ainda nem sabia o que iria fazer com ela”, lembra Cibele.

Bem maior do que imaginavam, a casa foi se compondo aos poucos. Ao todo, foram três anos de reformas, obras que passaram pelas mãos dos arquitetos Suzana Santana, Cristiano Sá Motta e Ricardo Gronner. Suzana cuidou de toda a parte técnica e Cristiano e Ricardo projetaram os espaços para hóspedes, os armários e decidiram as cores. O mais importante nessa história é que tanto Cibele quanto Leo já sabiam o que queriam da casa. Um dos pontos altos da reforma é a escada em madeira e espaguete azul, criada por Leo Santana.

Durante as obras, paredes foram derrubadas para ampliar a vista para o mar e os espaços foram sendo definidos. A beleza histórica dos ladrilhos hidráulicos originais, em cada cômodo com um padrão e cores diferentes, se uniu aos detalhes de dois apaixonados por casa. Misturando peças de artistas mineiros a outras de arte brasileira, espalhadas por cada cantinho, a casa ainda reserva um acervo histórico mais recente que quem viveu a noite de Belo Horizonte nos anos 1980 pode ter certa familiaridade: tanto o sofá vermelho do estar, como as duas poltronas roxas são remanescente de ambientes do Drosóphila, bar memorável da capital, do qual Cibele era uma das donas, junto à Lili Varella e Guilherme Campos. Todas as peças contam um pouco da história da proprietária, uma confessa garimpeira de objetos, arte e todo tipo de detalhe que deixa a casa cheia de personalidade.

 Na parte  de baixo fica o ateliê de Léo Santana, na parte de cima os quartos onde recebem hóspedes de todo canto do planeta e, na parte do meio, onde fica a porta de entrada, uma parede galeria está sempre mudando de acordo com a exposição do momento, um espaço/lojinha com os garimpos de Cibele, cozinha americana, o quarto de Cibele compõem o ambiente com muito espaço para celebrar a vida com muita alegria. Tudo, com o carinho de uma vista para o mar deslumbrante e o aconchego de receber a todos de um jeito mineiro inigualável. Com direito, inclusive, a cafezinho e pão de queijo. E a notícia que agrada geral: em breve, a Casa de Olinda vai receber hóspedes pelo airbnb. Um verdadeiro brinde à vida, para quem sabe fazer do lugar onde se mora uma celebração aos bons momentos.

FOTO: Lufe Gomes

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