Palatnik Genial

Considerado um dos pioneiros da chamada arte cinética no Brasil Abraham Palatnik ganha exposição imperdível no CCBB-BH, em cartaz até 19 de abril de 2021

Enfim, já dá para sentir o gostinho de ir a uma exposição de arte, ao vivo, algo que ficou impossível desde o início da pandemia, mas que vai retomando seu curso, agora de uma forma nova, em consideração a todos os ajustes necessários que as medidas sanitárias impõem neste momento.

Entre o que pode ser conferido na cidade, a exposição Abraham Palatnik –  A Reinvenção da Pintura é imperdível e fica em cartaz no CCBB BH até o dia 19 de abril de 2021. A mostra, em formato de retrospectiva, é a primeira homenagem ao inquieto artista falecido em maio de 2020, aos 92 anos.

Os trabalhos que compõem a exposição vêm de coleções brasileiras, além de obras do atelier do próprio artista. Artista cinético, pintor e desenhista, Abraham Palatnik é considerado o responsável pela expansão dos caminhos das artes visuais ao relacionar arte, ciência e tecnologia.

De modo criativo, e ao longo de seus mais de 60 anos de carreira, Palatnik desenvolveu experimentações artísticas e estéticas diversas, muitas delas disponíveis nessa mostra, que teve curadoria assinada por Pieter Tjabbes e Felipe Scovino.

Além de ser uma homenagem ao artista, a exposição também apresenta novidades, como o inédito curta-metragem dirigido pelo filho Roni Palatnik, que registra o artista fazendo uma das obras da última fase, e um destaque à série W, a última de sua produção.

Abraham Palatnik –  A Reinvenção da Pintura é também acessível às pessoas com deficiência. Para as pessoas com deficiência visual, é oferecido o serviço de áudio descrição para 12 representativas obras de Palatnik. Já, para as pessoas com deficiência auditiva, a exposição dispõe de tradução em libras no áudio-guia, e no documentário sobre o artista. Por fim, para proporcionar uma experiência ainda melhor, a produção também colocará iPads à disposição desses respectivos públicos.

Um pouco da história do artista*

Abraham Palatnik (Natal, Rio Grande do Norte, 1928 – Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2020). Artista cinético, pintor, desenhista. Considerado um dos pioneiros da chamada arte cinética no Brasil, expande os caminhos das artes visuais ao relacionar arte, ciência e tecnologia. De modo criativo, e ao longo de seus mais de 60 anos de carreira, desenvolve maquinários com experimentações artísticas e estéticas diversas.

Em 1932, muda-se com a família para a região onde atualmente se localiza o estado de Israel. De 1942 a 1945, estuda na Escola Técnica Montefiori, em Tel Aviv, e se especializa em motores de explosão. Inicia seus estudos de arte no ateliê do pintor Haaron Avni (1906-1951) e do escultor Sternshus e estuda estética com Shor. Frequenta o Instituto Municipal de Arte de Tel Aviv, entre 1943 e 1947, onde tem aulas de desenho, pintura e estética. Produz pinturas de paisagens, retratos e naturezas-mortas. O crítico Frederico Morais (1936) comenta os desenhos dessa época, dizendo que “a grafite, a linha é ágil, fluente, quase lírica”. No desenho a carvão, “o traço negro é firme, sólido, realista, por vezes expressionista”.1

Palatnik Retorna ao Brasil em 1948 e se instala no Rio de Janeiro. Convive com os artistas Ivan Serpa (1923-1973)Renina Katz (1925) e Almir Mavignier (1925). Com este último frequenta a casa do crítico de arte Mário Pedrosa (1900-1981) e conhece o trabalho da doutora Nise da Silveira (1905-1999), no Hospital Psiquiátrico do Engenho de Dentro.

O contato com os artistas e as discussões conceituais com Mário Pedrosa fazem Palatnik romper com os critérios convencionais de composição. Diz o artista: “O impacto das visitas ao Engenho de Dentro e as conversações com Mário Pedrosa demoliram minhas convicções em relação à arte”.2 Palatnik deixa de pensar a qualidade da obra baseando-se no manejo realista das tintas e na associação da arte com o motivo. Sua pintura e escultura abandonam os critérios escolares de composição e partem para relações livres entre formas e cores.

Por volta de 1949, inicia estudos no campo da luz e do movimento. Após pintar algumas telas construtivas, começa a projetar máquinas em que a cor aparece se movendo. Com base nesses experimentos são criadas caixas de telas com lâmpadas que se movimentam por mecanismos acionados por motores. Mário Pedrosa chama as invenções de Aparelhos Cinecromáticos, mostrados pela primeira vez em 1951, na 1ª Bienal Internacional de São Paulo. Em seu primeiro texto sobre Palatnik, Pedrosa descreve esses aparelhos como caixas em que ele “projeta sobre a tela ou outro qualquer material semitransparente composições de formas coloridas em movimento”.3 O trabalho é pioneiro no uso artístico de fontes luminosas artificiais.

Em 1953 o artista expõe novos Cinecromáticos, na 2ª Bienal Internacional de São Paulo e na 1ª Exposição Nacional de Arte Abstrata, no Hotel Quitandinha. O envolvimento com questões construtivas e o diálogo permanente com artistas como Ivan Serpa e Almir Mavignier levam-no a participar da criação do Grupo Frente, em 1954. No mesmo ano expõe na primeira coletiva do grupo, na Galeria Ibeu, Rio de Janeiro.

A partir de 1959, leva o movimento para o campo tridimensional. Cria trabalhos em que campos eletromagnéticos acionam pequenos objetos colocados em caixas fechadas. Ao mesmo tempo que inventa peças com que explora as possibilidades tecnológicas da arte, o artista faz quadros em superfícies bidimensionais. Em 1962, inicia a série Progressões, na qual compõe efeitos óticos ao utilizar faixas sobre uma superfície. No trabalho, usa materiais como madeira, cartões, cordas e poliéster.

Em 1964, nascem os Objetos Cinéticos. O artista cria esculturas de arame, formas coloridas e fios que se movem acionados por motores e eletroímãs. As peças se assemelham aos móbiles do escultor norte-americano Alexander Calder (1898), mas se diferenciam deles por se moverem com regularidade mecânica segundo a dinâmica planejada. Os Aparelhos Cinecromáticos são exibidos na Bienal de Veneza em 1964. A participação nessa mostra dá projeção internacional ao artista, que passa a ser considerado um dos precursores da arte cinética. Tal reconhecimento leva-o a participar, em 1964, da mostra internacional de arte cinética Mouvement 2, na Galeria Denise René, em Paris. Frederico Morais organiza em 1999 mostras retrospectivas de Palatnik no Itaú Cultural, em São Paulo, e no Museu de Arte Contemporânea (MAC-Niterói).

Ao criar composições que partem da cor, mas ultrapassam o limite da pintura, o artista é consagrado pioneiro em explorar as conquistas tecnológicas na criação de vanguarda brasileira, habilitando as máquinas para gerar obras de arte.

Informações sobre o Evento

*Exposição gratuita com emissão de ingressos no site www.eventim.com.br 

FIQUE ATENTO(A): Novas regras de visitação ao CCBB – BH

  • Bilheteria: não há bilheteria física. Os ingressos devem ser emitidos pelo site ou app Eventim com apresentação do QR Code na entrada do CCBB, não se recomenda a impressão do ticket.  
  • Validade ingresso: o ingresso é válido para o dia e horário agendados, com tolerância máxima de 15 minutos, sem possibilidade de alteração. Recomendamos planejamento dos usuários para melhor experiência de visitação.  
  • Aferição de temperatura: a temperatura dos visitantes será aferida na entrada do CCBB. Pessoas com temperatura igual ou superior a 37,5º serão orientadas a buscar atendimento médico especializado. 
  • Entrada e saída acessível: pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida e outras pessoas que necessitem da rampa de acesso podem entrar e sair pela rua Claudio Manoel.  
  • Serviço de guarda-volumes: está suspenso. Use somente o indispensável para sua visita. Não é permitida a entrada nas salas de exposição portando mochilas ou malas. Solicitamos que evitem o uso de bolsas com dimensões superiores a 50 cm X 60 cm X 10 cm (LxAxP).  
  • Uso obrigatório de máscara: durante a permanência no CCBB BH é obrigatório o uso da máscara cobrindo boca e nariz.  
  • Visitação e Distanciamento: os visitantes têm um fluxo de visitação sinalizado no espaço, que respeita o adequado distanciamento físico. Uma vez iniciada a visita, o público será orientado a não voltar ao ponto inicial. É recomendado o distanciamento de 2 metros entre as pessoas, seguindo a marcação no piso para orientação.  
  • Utilização dos elevadores: Pessoas com deficiência, mobilidade reduzida ou que precisem de acompanhamento possuem atendimento priorizado. Recomendamos o uso das escadas aos demais usuários.  
  • Utilização dos banheiros: haverá limitação da capacidade além da instalação de dispensadores de álcool gel. 
  • Bebedouros: os bebedouros foram adaptados e a utilização é somente para coleta de água com recipientes individuais.   

Notas

1. MORAIS, Frederico, Abraham Palatnik: um pioneiro da arte tecnológica. In: RETROSPECTIVA Abraham Palatnik: a trajetória de um artista inventor. São Paulo: Itaú Cultural, 1999, p. 09.
2. Idem, ibidem, p. 10.
3. PEDROSA, Mário, Intróito à Bienal. In: AMARAL, Aracy (org.). Projeto Construtivo Brasileiro na Arte. Rio de Janeiro, MAM 1977. p.170.

*ABRAHAM Palatnik. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa9891/abraham-palatnik>. Acesso em: 26 de Fev. 2021. Verbete da Enciclopédia.
ISBN: 978-85-7979-060-7

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