Arquitetura que ensina

Projeto dos arquitetos Gabriel Castro, Marcos Franchini e Pedro Haruf tem total harmonia a com proposta da escola Casa Fundamental

Insta: Gabriel CastroMarcos FranchiniPedro Haruf

A harmonia entre o projeto arquitetônico e a proposta dessa escola, concebida para ser um espaço de ensino e aprendizagem, essencialmente do convívio, do debate educacional, do rigor acadêmico, da experimentação pedagógica e das relações mais cuidadosas e gentis – como coloca seus fundadores-educadores – foi fundamental para que a proposta fluísse como foi idealizada. O projeto está entre os 15 finalistas no prêmio Obra do Ano 2021, do site ArchDailly.

O projeto dos arquitetos Gabriel Castro, Marcos Franchini e Pedro Haruf foi elaborado em paralelo às pesquisas de propostas educacionais inovadores, nas quais o espaço é elemento ativo desse processo. “Desenvolver esse projeto de maneira colaborativa foi um desafio e um aprendizado enorme. Mergulhamos no universo da educação infantil para entender as abordagens didáticas mais relevantes de hoje e, assim, poder traduzi-las em ambientes que respeitam as crianças como protagonistas do processo de aprendizagem”, comenta Gabriel Castro.

Batizada de Casa Fundamental, a escola de educação infantil e ensino fundamental também tinha como pilar, desde o começo, a integração com o bairro Castelo, situado na zona x de Belo Horizonte e com a comunidade local. Assim, ela incorporou a praça pública Manoel de Barros, como lugar para atividades externas com os alunos. O espaço ganhou continuidade com a Praça Interna proposta pelo projeto, pensado como um ambiente de vivência coletiva e eventos diversos tanto para a comunidade escolar, como para a vizinhança.

O galpão industrial pré-existente no terreno foi reconfigurado para uso educacional. A escolha pouco convencional, por se tratar de um vão livre amplo, com pé direito alto e pouca compartimentação do espaço, ganhou soluções para resolver condições críticas de temperatura, iluminação e acústica interviu-se na estrutura existente com a substituição de materiais de vedação por telha perfurada e cobogó, a criação de novas aberturas, o aumento das zenitais e um jateamento termo- acústico por cima do telhado.

A construção a seco também permitiu vantagens como a montagem simplificada e maior rapidez na execução, além de um canteiro de obras mais limpo e organizado, promovendo maior segurança ao trabalhador. Foram utilizados perfis laminados de aço para compor a estrutura, painéis Wall como sistema de lajes, Drywall e soluções de marcenaria e serralheria para divisórias e fechamentos verticais que, por serem modulares, facilitam flexibilizações futuras.

A autonomia do aluno foi priorizada tanto na relação com o espaço da escola como no processo de aprendizado e, assim, a integração foi pensada tanto em termos estéticos como de desempenho, com fluidez entre as zonas funcionais. Pensando em uma dinâmica de ensino que muda ao longo do ano, as salas de aula, programadas pra receber para 20 alunos tem um amplo espaço amplo de 70m2, podendo ter diversas configurações de layout graças às portas de correr, com lousa branca na face interna.

O mobiliário segue a mesma dinâmica, projetado com rodízios, permitindo várias modalidades de ensino simultâneas, maneiras variadas de postura e aprendizado. Há mini arquibancadas que incentivam o trabalho em grupo e nichos que, ao contrário, permitem o eventual recolhimento da criança. Cada sala apresenta sua própria biblioteca, provador de fantasias, pufes, tapete, mesas, espelhos, bancada e pia.

Houve um cuidado especial com os materiais e cores por reconhecer a importância das multissensorialidades do espaço e da investigação com o uso do corpo e por isso, foram usados materiais e texturas variadas como a madeira, o cimento,o ferro, o azulejo serigrafado, a fibra de vidro e uma paleta de cores moderadas que deixa o espaço convidativo para as crianças, sem estimular com exagero.


Optou-se por deixar todas as instalações aparentes, assim como aspectos originais do galpão, como a textura das paredes em bloco de concreto, que foram apenas pintadas, e o piso industrial de marmorite, que foi recuperado com a raspagem da tinta que o cobria. 

A escolha dos elementos vazados também se deu por seu efeito perceptivo, pois filtra a luz e a projeta de maneiras diferenciadas no ambiente no passar do dia.
A partir da noção pedagógica de pele psíquica, o projeto também se pautou em disponibilizar amplas superfícies e dispositivos que vão receber novas camadas de informação, novas narrativas didáticas construídas com o funcionamento da escola, tanto de resultados e sobretudo de processos de aprendizagem. 

O ambiente físico da escola é considerado como um terceiro professor (em conjunto com os professores e o material escolar), por isso a escola assume um papel de laboratório, para que possa favorecer o auto aprendizado com espaços abertos e acessíveis. Dentre ele destacam-se: o ateliê, que é um espaço complementar a sala de aula para incentivar a experimentação e a pesquisa com materiais diversos, projeção de imagem e tecnologia; a horta, que permite o contato com a terra e também acompanhar o crescimento das plantas e estabelecer uma relação direta com o alimento e a cozinha, que ganhou divisória transparente e bancada acessível para permitir participação das crianças. 

Fotos: divulgação

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