Coletivo singular

No centro de São Paulo, os mineiros Gustavo Penna, Gustavo Grecco e Gema Arquitetura ocupam, juntos, espaço cheio de história

Insta: Gustavo GrecoGustavo Penna ArquiteturaGema Arquitetura

É possível imaginar que ter um endereço no centro da maior cidade brasileira possa ter alguma relação com o sentimento de se sentir em casa? Três empresas mineiras, instaladas em um espaço coletivo cheio de bossa e personalidade, são unânimes em dizer que sim, é possível.

Um pouco antes da pandemia, o escritório Gustavo Penna Arquiteto & Associados, a Gema Arquitetura e a Greco Design resolveram se unir um só local e compartilhar o sétimo andar do icónico Edifício ABC, localizado na rua Major Sertório, 92. O projeto da construção, de 1949, é de Oswaldo Arthur Bratke, em parceria com Oscar Americano e Guilherme Corazza e foi fortemente influenciado pelo modernismo. Por conta disso, foi um dos primeiros prédios de São Paulo a usar fachada em vidro, seguindo os pilares da arquitetura racionalista.

O espaço onde as três empresas se instalaram é generoso, solar, com janelões que vão do chão ao teto, com presença do verde abundante em função da variedade de plantas e o despojamento elegante de quem tem uma vista privilegiada. “Desde o início, queríamos um lugar com esse calor, esse astral que temos aqui. A portaria é simples, você não tem aquela frieza de lugares chiques, mas em compensação, está rodeado de história, da boa gastronomia e também de outros importantes escritórios de arquitetura”, comenta Nara Grossi, da Gema Arquitetura, a primeira a se instalar no novo espaço, pois está na capital paulista há 12 anos.

A afinidade já era perfeita com Gustavo Penna Arquiteto & Associados, uma vez que, em Belo Horizonte, a Gema já ocupava uma área da casa onde fica a sede do GPA&A. A conexão com Gustavo Greco também não é de hoje. “Acho que o Gustavo (Penna) foi o primeiro cliente da Greco e, desde então desenvolvemos uma sólida parceria de mais de duas décadas. Com essa oportunidade de dividir um espaço em São Paulo, isso possibilita também uma proximidade física. A ideia é que seja um espaço de convivência, de elaboração de boas ideias e, claro, da comunhão de princípios e valores que temos em comum em relação ao design e à arquitetura e isso é muito importante na relação do nosso entorno”, comenta Gustavo Greco.

Viver a cidade a partir de sua área central é uma necessidade da arquiteta Isabela Tolentino, responsável pela área comercial e administrativa do GPA&A. Com 12 anos de escritório, mais de quatro morando em São Paulo, ela sempre apostou nos centros das cidades. Em Belo Horizonte, morava no icônico Edifício JK, projeto de Oscar Niemeyer da década de 1950, de onde ia a pé para o trabalho. Repetir essa história em São Paulo, para ela, é um privilégio.

Para Isabela, quando resolveram montar um escritório em São Paulo, a escolha de um prédio na área central foi a melhor decisão: “É muito bom viver a cidade a partir do centro, incluindo as delícias que temos muito próximas, com muita história e com a possibilidade de fazer vários percursos a pé. Saímos para almoçar, para fazer uma visita a um cliente, tudo é mais fácil a partir daqui, principalmente pela conexão com outras áreas da cidade”, diz, ao comentar que o escritório fica ao lado do Edifício Copan e que ‘o IAB é logo ali”.

O projeto das três empresas mineiras ocuparem um lugar coletivo em São Paulo e o contentamento de concretizar isso na área central da cidade sofreu uma desaceleração tão logo chegou a pandemia, mas o importante é que agora ele ganhou forma e a “casa” está aberta e começa a receber seus ocupantes, que vão chegando aos poucos.

FOTOS: Felco

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